Comer, Escrever, Partilhar | Um Workshop de Escrita de Sensações

 

[Nota: é bastante provável que este post contenha um pouco de spoiler. Desculpem, não resisti!]

Se eu fosse a Elizabeth Gilbert, “Comer, Escrever, Partilhar” seria o nome do livro (alusão ao Eat, Pray, Love) que contaria a história do nível 3 do Workshop de Escrita Criativa de Sensações da Rita da Nova.

Comer

Pois bem, não podia começar da melhor maneira: eu adoro comer! Como quando estou feliz, quando estou triste e não considero haver melhor lugar para reunir as pessoas como à mesa. E foi mesmo com esta premissa e com o despertar de memórias que a comida provoca, que a querida Rita criou este workshop baseado nos 5 sentidos.

[Para quem não sabe, existem vários níveis de workshops de escrita criativa – para fazer um não é obrigatório que faça o outro -, que aconselho vivamente a todos, escritores e não escritores.]

Para esta estreia, já que fomos as cobaias que testaram este novo modelo, a Rita aliou-se ao Brunch do Mundo, duas manas de sorriso farto que nos levam a viajar pelos sabores dos vários continentes. Um projeto muito saboroso servido em forma de brunch e sempre com novas pessoas para conhecer, à mesa está claro!

Mas como escrevemos nós sobre sensações? E onde é que a comida entra nisto tudo?
De forma muito criativa, acreditem!

5 pratos. Cada um para um sentido: Olfacto, Visão, Tacto, Audição e Paladar. Tapamos os olhos por diversas vezes, para não enganarmos os sentidos, sentimos, saboreamos, cheiramos, ouvimos e tocamos com a máxima atenção. É bonito isto de isolar sentidos. Faz com que prestemos mais atenção, mais apreço e consciência ao momento de comer, de apreciar cada segundinho, de perceber sabores, e permite-nos viajar por todos os ingredientes e pelas suas origens. E viajamos mesmo, metaforicamente aos lugares, nossos e dos outros. Do mesmo ponto de partida nascem histórias diferentes e reproduzem-se memórias que estavam muito bem guardadas.

Explosões de sabores, intensos e caseiros, suaves e nunca antes experimentados. Combinações improváveis que enchem a barriga e alma de qualquer um. Têm mesmo, mesmo de experimentar!

Escrever

Enfrentados os ‘desafios’ e confortadas as papilas gustativas, escrevemos. Sobre os cheiros, os sabores, as lembranças que os sentidos nos despertavam.

Dei por mim na Ásia – continente onde quero muito ir e que irei falar mais vezes dele por aqui -, a sentir-me lá, de pés descalços na terra quente e o cheiro a caril e pimentão doce a queimar-me as narinas. Viajei muito na ponta da caneta, escrevi sobre os meus desejos e visitei memórias a sépia quase sem tinta, com sabores que nunca tinha experimentado na vida. Como é possível, que algo que nunca tenhamos experimentado nos seja tão familiar? É uma sensação incrível.

E para quem acha que escrever é difícil e ainda mais, sobre algo tão específico então recomendo a dobrar, pois vão ver que é bem mais fácil do que parece. Está tudo dentro de nós – não é preciso inventar nada -, à espera de ser libertado. E a comida, realmente facilita essa libertação. Quando derem por vocês, estão entre páginas, sem nunca terem descrito qualquer um dos ingredientes ou o prato que têm à vossa frente.

De todos os níveis, dos três workshops que já fiz com a Rita, este foi aquele onde senti que a escrita me saiu com mais naturalidade, quase sem esforço.

Partilhar

Esta é para mim a melhor parte de todas (sem desfazer qualquer uma das anteriores), mas é o culminar, o motivo pelo qual sou tão fã destes workshops. No primeiro, quando percebi que iríamos partilhar tudo o que escrevesse-mos, tremi. Tive receio de me expor, como é óbvio. Que os meus textos não fossem grande coisa e de me sentir ridícula, mas há algo de profundamente mágico quando partilhas e recebes dos outros as suas partilhas, provavelmente cheias dos mesmos receios que tu. Ali, naquela sala, naquele momento não há julgamentos, não há erros e tudo é permitido, seja ficcionado ou real. Despimo-nos e somos acolhidas por um carinho ímpares.

Aprendemos a ouvir o outro, a aceitar a sua profundidade ou a sua leveza. Deixamos a imaginação voar sem constrangimento ou imposição. E cria-se uma união, um fio condutor que nos, de uma ponta a outra do grupo.
Estamos unidos.
Pela escrita.

Confesso que sou uma fiel seguidora da Rita. Ela conquistou-me à primeira e fez algo precioso, sem se dar conta, devolveu-me a coragem de escrever, a confiança para partilhar sem medos e sou-lhe eternamente grata por isso!

É caso para dizer: venham mais, porque onde tu fores, eu vou!

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  • Senão podes apanhar um avião para viajares, pega num livro e deixa-te levar.
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Não há desculpas para não ler 📚
  • Dos meus 28 anos, vivi durante dois nesta rua. Não foi a minha segunda morada, antes disso ainda passei por outras paragens. No entanto, nenhuma me marcou como esta.
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Acredito no destino, que não há coincidências e que a vida, nos espera onde fazemos falta.
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Foi em Cascais que tive a primeira prova nacional em 2009. Foi em Cascais que embarquei numa aventura incrível, em 2012, onde cresci enquanto pessoa e como treinadora, durante os três anos que se tornaram a minha vida. E foi exatamente a Cascais que voltei, na primeira prova, depois de três anos fora da ginástica.
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A vida é muito sábia. Faz-nos sempre voltar a casa. ❤️
  • A pensar que quando lá voltar, tenho um punhado de visitas a fazer a Barcelona de 1945.
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🖤 Zafón, do meu coração.
  • Quem me conhece sabe que tenho um fraquinho para a palhaçada e que gosto de brincar e tentar ser cómica.
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Nem sempre consigo (ahah) mas é algo que gosto de explorar. Bem como fazer estas brincadeiras, estes trocadilhos, por vezes inteligentes.
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É como diz o outro: “Entendidos vão entender”!🙈😝📸
  • Aprender, treinar, treinar, melhorar.
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Não há forma de dizer isto, nem outra maneira de o fazer. Só com treino podemos melhorar as nossas capacidades.
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Ando a testar novas edições, novas ferramentas e a tentar trazer mais qualidade para as minhas fotografias.
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O caminho, faz-se caminhando. 👣
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(Deslizando:
1. Fotografia editada no Lightroom e finalizada no Photoshop; ➡️ 2. e 3. Detalhes: ➡️ 4. Arquivo RAW)
  • Às vezes andamos tão em baixo que, quando menos esperamos, cai-nos no colo mimos que só podemos agradecer com muita gratidão e aprender que a vida é mesmo assim, feita de fases.
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No início do mês recebi um convite para dar um workshop de fotografia. Foi a primeira vez que o fiz. Podia ter tido um medo tal que me fizesse recusar, mas aceitei-o com todo o entusiasmo do mundo.
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Foi uma experiência incrível e fiquei certa, de que quero voltar a repetí-la.
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Andei muito caladinha em relação a isto, porque queria que desse tudo certo. E deu! 🙏🏻
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 Hoje conto-vos tudo ao pormenor, no blog.
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