A cor do meu cabelo

a-cor-do-meu-cabelo

Foi preciso esperar 27 anos para mudar a cor do meu cabelo. Sempre fui afoita na tesoura, nunca receei cortar mais centímetros do que aqueles que pedia à cabeleireira, mas tocar na coloração era algo que nunca tinha feito.

Foi só em 2017, um pouco antes de fazer os 27 anos, que fiz as minhas primeiras californianas, meio a medo e a cor de mel para não me assustar, nem assustar ninguém. O que eu não sabia era que, alguns meses depois ia fazer a mudança “estética” da minha vida, quando descolorei o cabelo.

Tinha estado na moda os cabelos loiros, rosa e os platinados-cinza e eu vibrava ao ver todas essas cores a surgir como cogumelos no meu feed de instagram. Gostava, não só por ser a moda, mas realmente era uma coisa que gostava de ver e que conferia, no meu ponto de vista, elegância e irreverência.

Quando vi o meu cabelo, amarelo (ainda) foi um choque. Mas não foi um choque mau, foi só daquela diferença que não estamos habituados a lidar. Na altura, tive quem gostasse, quem não gostasse e quem não soubesse o que dizer – também em choque. Ouvi alguns comentários de gozo que na altura me magoaram, mas depois percebi que isso dizia muito mais sobre eles do que sobre mim.

Para mim, mudar o meu cabelo sempre foi uma forma de me expressar. Sempre que fiz grandes mudanças no meu cabelo, aconteceram grandes mudanças na minha vida também. Nem sempre planeadas, mas sempre, de alguma forma, motivadas pela forma diferente com que me encarava ao espelho. Eram como um mote, uma força-extra para me dar aquele “quê” de motivação que me faltava. Não sei bem o que é que precede o quê, se a mudança física que me impele a ação ou se o gatilho interior que se acende e só precisa de se manifestar no exterior. É uma relação causa-efeito com uma linha muito ténue.

O que importa é que todas essas mudanças têm servido para o meu autoconhecimento, para me compreender e me olhar com mais tolerância e amor, como vos falei aqui através dos autorretratos.

Descobri que ser loira, me dava uma sensação de poder e de conquista muito grandes, de mulher que é capaz de tudo aquilo a que se propõe. Como se puxasse pelo meu instinto mais guerreiro e livre.

Ao mesmo tempo que descobria isto, havia sempre alguém no caminho a dizer “E quando é que voltas ao castanho?”, “Ai eu gostava era de te ver com a cor antiga”. Mas nunca ninguém me perguntava se eu estava feliz por ser loira, se gostava daquela mudança, se para mim fazia mais sentido desta forma. Ninguém.

O mais engraçado é que quanto mais me falavam de voltar a ser morena, menos me imaginava morena. Menos me revia na imagem de antigamente. Como se não estivesse pronta para voltar àquela altura, como se não me identificasse com aquela pessoa que fora morena toda a sua vida. Não estava pronta para voltar a ser a Margarida morena, que fui toda a minha vida. Esta foi também a forma que arranjei de dizer a mim própria, que não queria cometer os mesmos erros, que não queria voltar ao passado e, voltar ao cabelo castanho, era como voltar a tudo isso.

Entretanto, o loiro deu lugar ao roxo, que no dia a seguir decidiu ser azul unicórnio e posteriormente verde. Diverti-me muito neste processo, não é que me imaginasse sempre com aquela aparência, mas deu-me muito gozo ver como ficava com outras cores. Fez com que me levasse menos a sério e que curtisse mais a mudança, o poder ser tudo aquilo que eu quisesse. No fundo, era só cabelo e ao mesmo tempo era tanto mais do que isso.

Hoje o meu cabelo é ruivo e curiosamente revejo-me muito mais nesta mudança do que em todas as outras. Não sei quanto tempo vai durar esta fase, o importante é que enquanto dure que me faça sentir sempre bem.

2 comments

  1. Tão bom ler isto! Eu precisava de te ler nesta fase e neste tema. Sinto tanto que quero mudar este cabelo, mas o medo é receio prevalece sempre. Eu gosto de quem fui e de quem sou, o meu cabelo sempre me acompanhou no processo, mesmo levando cortes para variar, mas apetece-me tanto mudar e sair da zona de conforto, no entanto, gosto tanto dele assim também. Enfim, quando o fizer, vou-me lembrar de ti.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CommentLuv badge

Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
.
Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
.
Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
.
Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
.
Que acharam desta dica? 👌🏻
. . . 
#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!