Esta Música dava uma História #3 – Mrs. Cold, por Rita da Nova

esta-historia-dava.uma-musica

Esta Música dava uma História é uma rubrica mensal dedicada à música e à capacidade que ela tem de nos fazer criar e reviver histórias. Por aqui vão passar histórias inspiradas em músicas, músicas que tanto têm para contar, vidas vividas ao som de uma banda sonora que nunca se esquece. A melhor parte desta rubrica é que vai ser partilhada com quem gosto. As músicas da minha vida e da vida deles, as que nos marcaram, fizeram sorrir e chorar, vão passar aqui pelo blog. Já têm o som no máximo?

Podem encontrar esta rubrica na primeira quinta-feira de cada mês.

♥♥♥

Fico muito honrada por retomar esta rubrica que adoro, com uma convidada que me diz muito. A Rita da Nova é a minha deusa da escrita criativa e foi com ela que me vi de novo entre a tinta da caneta e as folhas em branco, foi aí que voltei a reacender esta paixão. Por isso, foi também um prazer ler esta viagem por Turim. Espero que gostem!

Ver também | Esta Musica dava uma História #1 – Petricor
Ver também | Esta Musica dava uma História #1 – Born Slippy, Catarina Alves de Sousa

Mrs. Cold – Kings of Convenience

É-me difícil escolher apenas uma música porque as histórias da minha vida têm (quase) todas uma banda sonora associada. Quando a Margarida me convidou para escrever sobre uma música e a sua história (ou será sobre uma história e a sua música?), achei que queria falar da minha subida a Sacre Coeur, no bairro parisiense de Montmartre. Costumo dizer que foi lá que perdi a inocência que me restava e libertei lágrimas já muito contidas, ao ritmo de Wish You Were Here dos Pink Floyd.

Pode ser que daqui a uns tempos esteja aqui a contar-vos essa história, mas hoje quero contar-vos outra. Uma história que não sabia que queria contar até me sentar ao computador e começar a escrever. A 13 de Fevereiro de 2012 entrei num avião com destino a Milão e, depois disso, num autocarro de 2h com destino a Turim. A minha decisão de fazer Erasmus foi tomada muito em cima da hora e escolhi um destino para onde mais ninguém ia.

Era mais malas do que mulher, como a minha Avó costuma dizer. Umas nas costas, outras a serem puxadas. Cheguei e percebi que não tinha onde ficar – entrei em pânico, mas não quis dar parte fraca. Pensei que podia apanhar um avião de volta, regressar a casa e fingir que nada se tinha passado. Mas também pensei que podia estar a perder uma das melhores experiências da minha vida e isso fez-me ficar.

Nas primeiras duas semanas, ainda antes das aulas começarem, estive a dormir num bed and breakfast amoroso e foi lá que comecei a sentir Turim como a minha segunda casa. Aproveitei esses dias para conhecer a cidade como se tivesse nascido lá. Levantava-me cedo, tomava o pequeno-almoço e sentava-me na cama a delinear um plano para o dia. Escolhia museus, ruas, praças, estátuas. Punha Kings of Convenience a tocar no meu (agora falecido) iPod amarelo e só regressava à hora de jantar.

Cresci muito nessas duas semanas e hoje, sempre que oiço Mrs. Cold dos Kings of Convenience, lembro-me que já fui capaz. Que fiz das tripas coração para viver durante 6 meses sozinha, que tive que criar novos laços e valer-me por mim mesma.

Hey baby, Mrs. Cold
Acting so tough,
Didn’t know you had it in you so be hurt at all

As experiências mais dolorosas são quase sempre as que nos fazem crescer mais e melhor. Turim é uma segunda casa por isso: porque me acolheu e me mostrou todos os seus cantinhos, mas nunca fez com que fosse fácil logo à primeira.

♥♥♥

esta-musica-dava-uma-historia-3-mrs-cold

 

| Sobre a Rita da Nova:

Blog
Instagram
Facebook

 

3 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CommentLuv badge

Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
.
Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
.
Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
.
Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
.
Que acharam desta dica? 👌🏻
. . . 
#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!