Esta Música dava uma História #8 – “Young Blood”, por Ana Teresa André

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Esta Música dava uma História é uma rubrica mensal dedicada à música e à capacidade que ela tem de nos fazer criar e reviver histórias. Por aqui vão passar histórias inspiradas em músicas, músicas que tanto têm para contar, vidas vividas ao som de uma banda sonora que nunca se esquece. A melhor parte desta rubrica é que vai ser partilhada com quem gosto. As músicas da minha vida e da vida deles, as que nos marcaram, fizeram sorrir e chorar, vão passar aqui pelo blog. Já têm o som no máximo?

Podem encontrar esta rubrica na primeira quinta-feira de cada mês.

♥♥♥

A convidada de hoje é a Ana Teresa André, conhecemo-nos oficialmente pelo instagram, mas o mundo, tão pequeno como só ele sabe ser, já nos tinha cruzado algumas vezes na vida real. Admirei-lhe a coragem e a ousadia, que a levou a pegar na mochila à descoberta do mundo, confesso que até sinto uma “invejazinha-boa” dela. Ela inspira-me e nunca perde a oportunidade de me ir oferecendo algumas palavras bonitas. Por isso, tinha todas as razões para a convidar a fazer parte deste cantinho especial e conhecê-la melhor, através das músicas que ouve.

Ver também | Outros faixas de Esta Música dava uma História

Young Blood – Noah Kahan

A música que escolhi não dava uma história, dava uma longa conversa junto a uma fogueira num lugar qualquer do mundo em que o relógio não seja um pequeno ditador de regras, de afazeres e do que tem de ser. Sou avessa a grandes rotinas, mas é uma luta diária manter isso em mente, em não me deixar influenciar pelos comportamentos em massa.

Há uns anos foi lançada uma campanha publicitária de uma marca de refrigerantes que tinha frases que nunca me saíram da cabeça, e que por coincidência ou não se mantêm em dois postais colados num quadro que tenho pendurado na parede do meu escritório. Na altura foi uma chamada de atenção, uma abre olhos para fazer mais por mim e pela vida que gostava de ter, hoje é um lembrete diário para não me esquecer que o caminho pode ser feito estrada fora sem mapas de obrigações da sociedade e sem um gps que nos diz a toda a hora quando e para que lado virar.

Decidi tomar a rédeas no dia em que comecei a aperceber-me que estava a viver algo que não era para mim, mas que basicamente era o desenhado para toda a gente. Não era para mim, nem para todos os que acreditam que a vida é sempre muito mais do que nos “mandam” fazer, das 1000 regras para tudo. As duas frases da campanha são simples, poderosas e que merecem tempo de reflexão, para mim são sempre um empurrão para a vida, cada postal tem escrito “Um dia vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai” e “É mais provável que mais dia menos dia só viajes no sofá”.

Foi nesta onda, na inspiração de querer ver mais mundo que me lancei por aí em viagens a solo. Agarrei em toda a minha vontade, em todos os motivos de querer viver e pus a mala às costas. Fui, vim, voltei a ir e voltei de novo. Entre os caminhos europeus e as rotas asiáticas deixei os medos numa caixa bem fechada e vivi dos melhores meses da minha vida, o cliché de que viajar é a única coisa que se compra e que traz mais riqueza nunca devia deixar de ser dito, partilhado e vivido. Viajar é tão mais que check numa lista de locais onde já pusemos o pézinho e a vista, viajar é SER MAIS. Mais tolerante, generoso, aventureiro, paciente, responsável, atento e claro, agradecido.

A música que escolhi acompanhou-me nos meus 3 meses pela Ásia e foi a música que coloquei no vídeo que fiz com os melhores momentos dessa aventura. Ver e rever esse vídeo é ouvir esta música vezes sem conta, é manter-me fiel à minha necessidade de viajar e de não me contentar com o sofá. Há sofás em todo o lado e o melhor de tudo é exatamente o que a música me transmite (como aquela análise que fazemos aos sentimentos escondidos nas palavras dos poemas de Fernando Pessoa): é importante guardar o tempo para o que interessa, manter a mente aberta e sã, manter a humildade de não se achar que se sabe tudo, do desapego de começar uma vida em qualquer lado, nunca deixar de se surpreender pelos outros, pela sua generosidade e pela sensação do caraças que é estar vivo.

A ânsia de querer sempre ver mais, de continuar a viver, a respirar e não ter medo de perder o dinheiro porque a felicidade são as relações, os momentos e os outros. Gostar de viver, de amar as pessoas e não os objetos. Manter o sangue jovem, sempre. Fazer com que o dia de “achar que tens de ir para onde toda a gente vai” nunca chegue e que apesar de ter dias em que só viajo no sofá também não abandone os que viajo de sofá em sofá pelo mundo.

“Keep your time, keep your mind, keep humble
Start your life in the middle of the jungle
You-ooooh, young
Young blood
Rub your eyes, be surprised, keep hungry
Stay alive, try to lose all of your money”

ps: obrigada, Margarida! Foi muito bom escrever, voltar a lembrar-me que somos nós que fazemos o nosso futuro. Pôr isto tudo por escrito é bom, é reconfortante. Espero que gostem da música tanto como eu. Beijinhos

♥♥♥

| Sobre a Ana Teresa André:

“Já tentei encaixar na sociedade, já segui a multidão enquanto me convencia que devia manter-me na linha. A linha que traça o caminho de todos os que se conformam com o “tem de ser”, “a vida é mesmo assim”, “tiras um bom curso, arranjas trabalho e tudo corre bem”. Mas chegou uma altura em que decidi questionar se os meus interesses, os genuínos, estariam efectivamente alinhados com o “que deve ser”. Pensava todos os dias que a vida teria de ser muito mais do que isso, que existiam milhares de sítios para descobrir e milhões de pessoas para conhecer. Pensei que tinha de fazer mais por mim e pelos outros. Um dia acordei e saí da rotina. Nesse dia também saí da linha e comecei a inspirar-me no desconhecido e no que ainda posso alcançar.” Ver Mais

Blog | Instagram

 

♥ | Se quiseres participar nesta rubrica, envia-me um e-mail para hello@margaridapestana.pt |

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Foi em Cascais que tive a primeira prova nacional em 2009. Foi em Cascais que embarquei numa aventura incrível, em 2012, onde cresci enquanto pessoa e como treinadora, durante os três anos que se tornaram a minha vida. E foi exatamente a Cascais que voltei, na primeira prova, depois de três anos fora da ginástica.
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A vida é muito sábia. Faz-nos sempre voltar a casa. ❤️
  • A pensar que quando lá voltar, tenho um punhado de visitas a fazer a Barcelona de 1945.
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🖤 Zafón, do meu coração.
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Nem sempre consigo (ahah) mas é algo que gosto de explorar. Bem como fazer estas brincadeiras, estes trocadilhos, por vezes inteligentes.
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Não há forma de dizer isto, nem outra maneira de o fazer. Só com treino podemos melhorar as nossas capacidades.
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Ando a testar novas edições, novas ferramentas e a tentar trazer mais qualidade para as minhas fotografias.
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O caminho, faz-se caminhando. 👣
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(Deslizando:
1. Fotografia editada no Lightroom e finalizada no Photoshop; ➡️ 2. e 3. Detalhes: ➡️ 4. Arquivo RAW)
  • Às vezes andamos tão em baixo que, quando menos esperamos, cai-nos no colo mimos que só podemos agradecer com muita gratidão e aprender que a vida é mesmo assim, feita de fases.
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No início do mês recebi um convite para dar um workshop de fotografia. Foi a primeira vez que o fiz. Podia ter tido um medo tal que me fizesse recusar, mas aceitei-o com todo o entusiasmo do mundo.
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Foi uma experiência incrível e fiquei certa, de que quero voltar a repetí-la.
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Andei muito caladinha em relação a isto, porque queria que desse tudo certo. E deu! 🙏🏻
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 Hoje conto-vos tudo ao pormenor, no blog.
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