Esta Música dava uma História #9 – Wuthering Heights, por Leila Gato

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Esta Música dava uma História é uma rubrica mensal dedicada à música e à capacidade que ela tem de nos fazer criar e reviver histórias. Por aqui vão passar histórias inspiradas em músicas, músicas que tanto têm para contar, vidas vividas ao som de uma banda sonora que nunca se esquece. A melhor parte desta rubrica é que vai ser partilhada com quem gosto. As músicas da minha vida e da vida deles, as que nos marcaram, fizeram sorrir e chorar, vão passar aqui pelo blog. Já têm o som no máximo?

Podem encontrar esta rubrica na primeira quinta-feira de cada mês.

♥♥♥

O Esta Música Dava Uma História deste mês é-nos trazido pela querida Leila Gato, autora do blog com o mesmo nome. Conhecemo-nos no Bloggers Camp e desde então, várias têm sido as oportunidades onde nos cruzamos para criar coisas boas. No post de hoje, vamos viajar não só pela música escolhida, como também sobrevoar a literatura, a pintura e pela sétima arte. Vão buscar as pipocas, ponham-se confortáveis, apertem o play, aqui vamos nós..

Ver também | Outras faixas de Esta Música dava uma História

Wuthering Heights – Kate Bush

Sempre fui fascinada pelo modo como uma obra de arte plástica, literária ou musical serve de inspiração para uma recriação artística. Confusos com esta entrada? Eu explico. Já ouviram a frase “não li o livro mas vi o filme”, certo?

Elenco dois exemplos em modo speedy Leila:

i. O quadro “O beijo” de Gustav Klimt que inspirou o guarda roupa final da personagem de Drácula neste filme de Francis Ford Coppola

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ii. O plano incrível do filme “Children of Men”, de Alfonso Cuáron, que tem a capa do álbum dos Pink Floyd como fundo. A lista poderia continuar frutífera e sonhadora

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Quando a Margarida me pediu para escrever sobre uma música, veio-me logo esta à cabeça. Aviso já que não é uma escolha consensual, tal como a sua autora não foi no final dos anos 70.

Hoje em dia, o nome Kate Bush não diz muita coisa a muita gente mas, naquela altura, esta “miúda” com físico de bailarina clássica de vinte e poucos anos, de voz estridente e aparentemente frágil (mas que na realidade escondia uma capacidade vocal extraordinária) conseguiu dois grandes feitos. Recriar a história de um extenso livro através de uma canção que ainda hoje arrepia gerações e tornar-se num ícone de feminilidade, originalidade e sensibilidade.

Depois de ler o Monte dos Vendavais de Emily Brontë, Kate Bush escreveu “Wuthering Heights” e quis, à rebelia da sua produtora, fazer dessa canção o single de lançamento do seu primeiro álbum. Além de a considerarem louca, não a ajudaram muito na promoção (estão a ver a história do “Bohemian Rhapsody”? É similar).

Porque vos falo de tudo isto? A história de Kate Bush fascina-me tanto como a da protagonista deste livro, Cathy. O Monte dos vendavais é a história de duas famílias amaldiçoadas pelo espírito de uma mulher condenada por um amor tão tempestuoso como o monte onde aquelas famílias viveram.

Vejo Cathy da mesma forma que Kate Bush: mulheres que são exemplos de uma força extraordinária, encapsulada na sua fragilidade e condição de Mulher. Não me considero uma feminista – no sentido radical e divisionista -, acho que devíamos pensar para além do nosso género e na igualdade, mas fascinam-me as estórias de mulheres que não são perfeitas, que são repletas de falhas de carácter e que aprendem (ou não) a lidar com as consequências dos seus atos.

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O poema da música capta a essência de uma das partes mais arrepiantes do livros, quando a alma penada de Cathy aparece a uma janela (numa noite de vendaval) e grita do outro lado da janela…

Heathcliff, it’s me, I’m Cathy
I’ve come home, I’m so cold
Let me in through your window

E porque o amor entre os dois tornou-se na sua própria morte por terem ambos espíritos indomáveis, selvagens e ciumentos, Cathy recorda o que fez do amor entre ambos, uma amor tão certo e tão errado:

Out on the wiley, windy moors
We’d roll and fall in green
You had a temper like my jealousy
Too hot, too greedy

E ela continua, explicando a sua relação de amor e ódio entre duas pessoas que cresceram como irmãos e condenaram-se como amantes…

Ooh, it gets dark, it gets lonely
On the other side from you
I pine a lot, I find the lot
Falls through without you
I’m coming back, love
Cruel Heathcliff, my one dream
My only master

Fechando o círculo, talvez esta música não fique muito bem na playlist da Margarida mas esta escolha, que mais não seja servirá para vos despertar a curiosidade sobre uma das maiores obras da Literatura Inglesa (a meu ver, claro) e sobre a figura de Kate Bush que depois de alcançar muito sucesso, se retirou do mundo do espetáculo muito cedo por achar que a Fama era uma besta que precisava de ser constantemente alimentada, retirando muito mais do que aparentemente dava.

♥♥♥

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| Sobre a Leila Gato:

Daqui a um ano já devo saber melhor, mas por enquanto a Gato escreve, lê, apaga, corta, cola, lancha uma torrada afogada em manteiga, volta a escrever, acrescenta um ou dois pontos e esquece-se de uma vírgulas pelo caminho.

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| Se quiseres participar nesta rubrica, envia-me um e-mail para hello@margaridapestana.pt |

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Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
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Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
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Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
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Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
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Que acharam desta dica? 👌🏻
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#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!