O Modo Manual Para Cabeças Complicadas (c/ exercícios práticos)

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Por jeshoots.com via Unsplash

Ando há, basicamente séculos, para escrever este artigo. Porquê? Porque a tendência é que falar destes temas seja sempre, um tanto ou quanto aborrecido. Por isso, desafiei-me a tentar explicar-vos estas coisinhas todas, de forma descomplicada, prática e sem grande blá-blá-blá.

Eu também já fui essa cabeça complicada que não percebia como é que uma variável se integrava com as outras, por isso compreendo o bicho de sete cabeças que o Modo Manual vos possa parecer e às vezes ser. A única coisa que posso prometer é que com a prática, acabam por dominar estas técnicas.

Então vamos lá a isto..Existem 3 variáveis que têm de compreender no Modo Manual: a ISO, a Abertura do Diafragma e a Velocidade do Obturador. Para os amigos: ISO, Abertura e Velocidade.

ISO

A ISO é a sensibilidade do sensor à luz. Lembra-se que antigamente, nas máquinas fotográficas analógicas, cada filme tinha um determinado valor de ISO? Que não podia ser alterado a não ser que utilizássemos um rolo com uma ISO diferente?

Com a evolução da tecnologia, qualquer máquina fotográfica com modo manual ou smartphone mais avançado (graças a deus!), já nos permite, em determinados modos, alterar essa variável.

E como é que ela varia, perguntam vocês?

Quando o valor de ISO é baixo, significa que o sensor é pouco sensível à luz e por isso, a fotografia vai ficar mais escura. Quando o valor de ISO é maior, o sensor vai estar mais sensível à luz e por isso, a imagem ficará mais clara.

Vamos lá ver com imagens:

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Comportamento da luz através da alteração da ISO

! NÃO HÁ BELA SEM SENÃO: Dependendo da qualidade do equipamento, isso também significa que a qualidade da imagem pode diminuir à medida que a ISO aumenta, uma vez que tendencialmente a fotografia fica com um efeito de ruído/grão. Pelo que, quando vamos fotografar, temos de ter em atenção todas estas condições e as limitações do nosso equipamento.

ABERTURA

Controla a entrada da luz e é medida em f/stops: f/1.8, f/2, f/2.8, f/4, etc. Ou seja, quanto menor for, em termos numéricos o valor de f/stop, maior será a abertura e isso significa que há mais quantidade de luz a entrar e, assim sendo, uma imagem mais clara. Quanto maior for o valor de f/stop (p.e., f/16), mais pequena é abertura e por isso, a quantidade de luz que entrará será menor, produzindo assim uma fotografia mais escura. Pedi ajuda ao amigo Google, para ilustrar esta relação:

Relação da Abertura do Diafragma

A esta variável, está também associado o conceito de Profundidade de Campo.

Sabem aquele efeito de desfocado que todos nós adoramos nas fotografias? É esse mesmo, o famoso Bukeh. Podia explicar isto por escrito, mas deixo-vos estas duas imagens.

A profundidade de campo depende da abertura do diafragma, da proximidade com o motivo que se está a fotografar e, também, da distância focal das lentes que estamos a utilizar. Dominar este conceito permite-nos criar fotografias mais criativas, com um propósito mais claro e transmitir emoções de forma mais intensa.

Trocando a coisa por miúdos…

… Para termos este efeito, precisamos de estar perto do motivo e ter um valor de f mais baixo, por exemplo: f/1,8.

VELOCIDADE (last, but not least!)

O obturador é o mecanismo que controla o tempo (em segundos) em que a fotografia vai estar exposta à luz – imaginem uma cortina que abre e fecha de forma mais rápida até mais lenta. A velocidade com que essa cortina abre e fecha determina o tempo em que a fotografia vai estar exposta à luz. Quanto mais tempo tiver exposta (velocidade lenta), mais luz vai incidir e por isso, teremos fotografias mais claras. O oposto também se verifica: velocidade mais rápida, menos tempo de exposição à luz à fotografias mais escuras.

Este mecanismo é responsável por tornar as nossas imagens mais estáticas ou dinâmicas. Se eu quiser fotografar um salto mortal na ginástica, o meu tempo de exposição terá de ser o mais reduzido possível, de forma a que no momento exato do movimento, eu possa captar o seu executante completamente congelado no ar. Se eu quiser fotografar a água de uma cascata a correr, mas dar-lhe um aspeto mais suave e fluído, como se fosse seda a deslizar, terei de usar um tempo de exposição mais elevado – a típica fotografia da cascata.

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Relação da Velocidade do Obturador

Estas três variáveis são extremamente importantes na arte de fotografar e dominá-las corretamente, permite-nos chegar a resultados espetaculares e surpreendentemente criativos. No entanto, nenhuma delas vive sozinha e dependendo sempre umas das outras, para um resultado final.

CONSELHOS E UM DESAFIO

Como eu sei que, tudo isto pode tudo parecer um pouco confuso ao início, tenho um conselho e um desafio. O conselho é que antes de fotografares, que penses e te faças algumas perguntas:

– Qual é o objetivo?

– Porque é que vou tirar esta fotografia?

– O que quero fotografar está parado ou em movimento?

– Tenho uma luz à volta ou pouca?

E conforme as respostas que forem surgindo, vais idealizando na tua cabeça a fotografia que queres tirar e como terás de ajustar as três variáveis.

– Se o ambiente tiver muito escuro, aumentas a ISO;

– Se o objetivo estiver em movimento e o quiseres congelar, a velocidade terá de se uma prioridade;

– Se queres fazer um retrato, dando ênfase ao modelo, deixando o fundo bem desfocado, priorizas a abertura.

Tendo sempre em atenção, que manipular uma variável, vai por sua vez afetar as outras!

VAMOS À PRÁTICA?

Exercício 1: Se tens uma máquina com visor LCD que te permita ver a fotografia em “directo”, experimenta alterar cada uma das variáveis e ver o seu efeito “on-real-time”. Por exemplo, ISO 200, ISO 400, ISO 800, ISO 1600, ISO 3200. Caso o teu smartphone permita, também podes experimentar fazer o mesmo.

Exercício 2: Regista um congelamento – pode ser uma pessoa a saltar, gostas de água congeladas no ar, tanto faz. Dica: Opta por fotografar em locais luminosos, uma vez que como a velocidade é elevada (1/600 por exemplo) a tendência é a fotografia ficar mais escura. Se arrasares neste exercício, podes também experimentar o oposto e fotografar um arrastamento.

Exercício 3: Coloca a máquina num tripé ou num sítio onde não varie de distância e coloca um três elemento a fotografar à frente, cada um a distâncias diferentes. Experimenta fotografar sempre a mesma imagem, alterando os valores da abertura. Não só notarás que haverá mais luz (caso não equilibres as restantes variáveis), como notarás que o fundo terá vários graus de profundidade de campo – muita e pouca profundidade de campo. Como podes ver, no exemplo, a seguir:

O importante de tudo isto, é desapegarem-se no modo automático e começarem a explorar as vossas máquinas no modo manual. A dispararem por tudo o quanto é canto, explorando todas as configurações, principalmente estas três. Não tenham medo de errar. Só assim aprendemos.

Já sabem que me podem mostrar tudo através da hashtag #dicasdapestana.
E agora, conseguiram compreender melhor como funciona o modo manual? Deixem as vossas dúvidas nos comentários!

4 comments

  1. Minha querida Maggie, mas que grande trabalho teu que é este post! Muito obrigada! Apesar de fotografar em modo manual, volta e meia gosto de recordar os básicos técnicos, porque não acredito que fotografar em manual seja como andar de bicicleta e tenho receio de me esquecer! Eheheheh.
    Adoro estas tuas partilhas sobre Fotografia, continua! :)*
    Catarina Alves de Sousa recently posted…Retratografia #2: RecreateMy Profile

    1. Querida Cat,
      muito obrigada!!
      Tens razão, é importante fazer aquela revisão, porque entramos tão em piloto automático e acabamos por fotografar de uma forma tão nossa, que nem sempre nos desafiamos a fazer doutras formas. E é bom, ir revendo estes conceitos.
      Obrigada pelo carinho <3
      Um grande beijinho

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Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
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Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
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Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
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Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
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Que acharam desta dica? 👌🏻
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#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!