“Olá, mudei, muito prazer!”

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Precisava de escrever sobre isto.
Talvez seja em modo manifesto ou desabafo. Talvez seja como uma carta, que escrevo de mim para mim e de mim para quem a quiser ler.

Tenho falado muito sobre mudança, dentro do meu ciclo de amigos. Na maior parte das vezes, sobre mudanças que nada têm a ver com o tom da cor do meu cabelo ou com as formas do meu corpo. Mudanças que, no real sentido da palavra, não se veem à vista desarmada mas que, revolucionam a nossa “casa”.

Eu mudei. Ou devo dizer, amadureci?

Mudei em tantas coisas. Sobretudo, mudei de opinião. Mudei de vontades e, principalmente de prioridades.
Dou por mim a pôr em dúvida coisas que fazia, há não muito tempo e a olhar-me ao espelho e a redescobrir novas Margaridas, a todo o instante.

Antes queria agradar toda a gente ao ponto de me anular e hoje, embora parte de mim ainda deseje manter essa (falsa) “paz”, a outra renega qualquer tipo de frete, qualquer incoerência com a minha vontade ou valor.

Antes achava que as pessoas eram para sempre e hoje… Hoje sei que isso não é natural. O natural é a vida seguir o seu rumo sem algumas pessoas de quem, achava que ia ser próxima até sermos velhinhas – e com isto, não quer dizer que não fique o carinho e as boas memórias.

Nada é estanque, ao contrário do que eu julgava. Tudo é volátil, tudo muda. Deixei de querer a algazarra e prefiro agora, a calmaria. Era sobre isto que falava há uns dias como uma amiga. Estas mudanças deixam-nos muitas vezes ansiosas, apreensivas. É como se eu não soubesse ser doutra forma senão aquela Margarida – miúda e ingénua – e agora, de repente, quero ser outra, transformei-me noutra.

Numa versão, acredito que melhorada, mais consciente do que outrora e seria estar a mentir, se não dissesse que, por vezes, é assustador. Porque o é.

Assusta por tudo em jogo, todas as nossas crenças e valores. Agarrar nas caixas onde colocamos todas as opiniões, todas as experiências e conclusões e virá-las ao contrário. Deixar tudo espalhado no chão e tirar uma a uma, para ver se ainda fazem sentido. Como quando lemos aquelas cartas que escrevemos aos “namorados” e amigos no ensino básico. Lemos e tantas vezes, achamos ridículas.

Enquanto mudo, construo quem sou.
Mudo como se fosse colocando tijolo sobre tijolo nesta casa, que sou eu. E vezes sem conta, tenho de retirar umas quantas filas para tocar um tijolo pelo outro, porque já não faz sentido ou porque não encaixa da maneira que esperava ou que gostava.

Ainda bem que mudo, porque aprendo cada vez que o faço. Porque estou mais perto de ser, quem realmente sou e não algo que alguém projetou.

6 comments

  1. Que bonito de ler 🙂 Que continues com essa força de ser quem és, mesmo que isso signifique uma coisa hoje e outra amanhã. A mudança é a única constante na nossa vida, mais vale estar de boa com ela.

  2. Engraçado a metáfora que usaste – “casa” – porque fez-me lembrar quantas vezes mudamos pormenores na decoração do nosso lar, porque já não nos faz sentido. Eu faço isso imensas vezes, talvez por estar em constante mudança. Adorei o post, um beijinho

    1. Obrigada minha linda, ainda bem que te identificaste!
      O que importa é estarmos confortáveis na casa, que somos nós!
      Tenhamos que mudar as vezes que forem precisas, para isso!
      Obrigada pelo comentário querida <3

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Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
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Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
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Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
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Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
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Que acharam desta dica? 👌🏻
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#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!