Vamos falar de propósito?

vamos-falar-de-proposito-michael-heuser-unsplash

Quero trazer-vos uma reflexão hoje.

Há uns dias, numa consulta com a minha psicóloga, surgiu no meio de uma conversa a seguinte pergunta: “Isso serviu o teu propósito?”. Aconselhou-me a que, sempre que surgisse alguma condição, evento, situação, que me questionasse se isso seguia a minha linha de atuação, se ia na direção daquilo que desejava para mim.

Aquelas quatro palavras caíram dentro de mim, como uma pedra caiu no fundo de um poço, agitando todas as águas e produzindo aquele som inconfundível. Como é que uma simples frase, tão curta e direta, que até é costume ouvirmos muito nos dias de hoje, pode naquele momento fazer tanto sentido?

Em segundos, desfilaram na minha mente, uma série de episódios da minha vida. Coisas que fiz, conversas que tive, pessoas com quem me relacionei. Parecia um filme. Questionei-me: Serviu o meu propósito?
A resposta foi: não.

Esta coisa do propósito é um tema universal. Andamos todos aqui à procura do tal propósito que nos mantém vivos, da missão que nos trouxe à Terra. Quero descomplicar, por isso decidi que o meu propósito é sentir-me bem. Trazer-me satisfação. Não obrigatoriamente feliz, mas bem. Apenas e só isso!

Por isso fiz um throwback às minhas memórias e fui perceber o porquê de algumas delas – compreendo agora! – não terem servido o meu propósito. Esta é uma delas:

Eu sempre quis agradar. Agradar todos os que estavam à minha volta, dar-me bem com toda a gente. Sempre me esforcei para proporcionar o melhor ambiente e harmonia possível às pessoas que gosto. Era o elo de ligação entre todos os meus amigos, mesmo quando alguns deles tinham alturas em que não se davam tão bem ou se afastavam por algum motivo. Eu era aquela pessoa, que tentava sempre manter a união do grupo e que, sofria desmedidamente quando alguns deles se zangavam. Qual mulher elástica, de braços ultra esticados a segurar um em cada mão. Fiz isto durante 27 anos, muito inconscientemente, porque queria preservar todas as memórias, queria que tudo se mantivesse como sempre era. Como eu gostava de quando era tudo bom e divertido.

Era também muito ingénua e agora, consigo ver que sempre me esforcei muito, sempre dei tudo por isso e nunca servi o meu propósito.

Nunca sequer me questionei porque o fazia, se esta ânsia de juntar todos e criar um ambiente perfeito, me fazia a mim feliz. Idealizava de tal forma esse conto de fadas, que o tornei na minha missão. Viver para agradar os outros é assumir o “suicídio” da nossa identidade. E eu fi-lo em nome do amor, dos velhos tempos, das memórias para contar aos netos e do “ainda vamos rir disto no futuro”. Estava enganada. Perdi-me de mim mesma nessa missão e nunca cheguei a encontrar aquilo precisava, nem a almejar o que tanto queria.

Mas por vezes, há coisas que nos fazem abrir os olhos e foi isso que esta pergunta me fez. Enquanto me preocupava em viver os problemas dos outros, enquanto me submetia à influência desses problemas, fui-me anulando. Tornando assim, a felicidade deles no meu barómetro. Quando só eu posso ser o meu barómetro.

Esta revelação foi assustadora, mas agora vejo as coisas com clareza. E, se te poder dar um conselho que seja o de te questionares da mesma forma: “Serve o meu propósito?”

– Este emprego onde estou, serve o meu propósito?
– A pessoa que conheci no outro dia, quer o mesmo que eu? Serve o meu propósito?
– Aquela amizade, faz-me bem? Serve o meu propósito?
– Intrometer-me naquela discussão de duas pessoas que eu gosto, serve o meu propósito?
– Ir àquele sítio ou sair à noite para aquela discoteca, serve o meu propósito?
– Aquela pessoa que tanto admiro, mas não reconhece o meu empenho, serve o meu propósito?
– Aquela nova proposta de trabalho, serve o meu propósito?
– Esta relação, serve o meu propósito?

Se a resposta for sim, vai em frente! Faz o que for preciso, não dês ouvidos às vozes que te tentam impedir.
Se a resposta for não, então pensa em ti. Ouve-te com atenção e não faças algo com que não te identificas, que não serve o teu propósito.

Os trabalhos não duram para sempre, algumas relações terminam e por vezes há amizades que mudam, amadurecem, as pessoas evoluem e deixam de se sentir tão identificadas umas com as outras. É normal. Estamos em constante mudança e por muito que isso assuste, é bom. É sinal que crescemos e agora já temos mais conhecimento de causa, mais dados que nos fazem adquirir uma nova perspetiva sobre algo na vida.

O que importa é que, faças o que fizeres, isso vá ao encontro do teu propósito! Sempre!

Qual é a vossa perspetiva em relação ao propósito?

5 comments

    1. Querida Ana Teresa! Deixa-me de coração cheio ler as tuas palavras. É muito bom saber que elas chegam tão longe e que de alguma forma ressoam em ti. Muito muito grata por isso. Continua a inspirar-me com esse trabalho e viagens tão bonitas! Um grande beijinho

  1. Margarida querida mas que bela reflexão nos trouxeste! Sem dúvida que essa é a pergunta-chave para muitos dos nossos “dilemas”! Eu costumo usar uma muito semelhante que é “se eu me amasse de verdade, o que faria?”. A reflexão é exactamente a mesma e passa por fazermos de nós a nossa prioridade. Tal como tu, passei quase trinta anos da minha vida a tentar agradar os outros e a ser alguém que não era. E mudar tudo isto é um processo lento e, por vezes, doloroso. Mas vale a pena. Tudo aquilo que nos leve ao encontro da nossa essência vale a pena.

    Um grande beijinho e obrigada por este texto maravilhoso 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CommentLuv badge

Segue-me

  • Dei-me conta que não existem muitas pessoas, que falem abertamente do lado mais cru e menos mágico de se ter um negócio por conta própria.

Não sei se conhecem o podcast Officina, mas um dos últimos episódios fala exatamente disso Também na semana passada, estive no terceiro encontro do She Works, onde se falou sobre as mudanças radicais de carreira e me identifiquei com algumas das questões levantadas. Foram estes dois momentos que me inspiraram a escrever sobre isto: o lado cinzento do meu trabalho, que muitas vezes não mostro e que nem sempre é um conto de fadas.

Para ler, no blog.

Um obrigada especial à @officinalis.pt, à @madebychoices, ao @nomadismodigitalpt, à @catalvesdesousa, à @filipammaia e à @cat_daydreams por falarem abertamente sobre a sua experiência! 💞 📸 Na foto estou eu e a querida @brunareisb, captadas por um transeunte, quando fotografavamos para o próximo Retratografia.
  • Um beijinho especial ao meu pai e a todos os pais que nascem quando o maior amor das suas vidas nasce também.
E que eu e a minha lente possamos sempre testemunhar esse amor. 💖
  • Já vamos a meio de Março e tem sido um levantar vôo a alta velocidade.

Peguei nas asas e dei por mim a estabelecer novas rotinas, a organizar a agenda e a fazer acontecer até quando as insónias me fazem uma visita.
Não há tempo para ficar a planar no ar, isso já foi lá atrás.

Há objectivos novos por cumprir e projetos novos para lançar. Ontem foi mais um dia de avanço, de sair do ninho e despir a carapaça - literalmente.

Em breve, vamos contar-vos tudo do @womanlinesphotography
esse projeto bonito que andamos a chocar. Cada coisa tem o seu tempo, e ao que parece o seu tempo está a chegar. 🌺
  • Hoje volto a este lugar bonito que já me viu em várias versões.

Volto à Academia @asnove, onde registei este abraço sentido e tantos outros momentos do Bloggers Camp 2018.

Desta vez é pelo @sheworks.pt que vou e para ouvir ao pormenor as histórias da @filipammaia e da @cat_daydreams, sobre isto de se mudar radicalmente de carreira.

Vejo-vos por lá? 😘
  • Quem é blogger ou empreendor digital e precisa frequentemente de fotografias para o seu projeto, sabe que fotografar dentro de casa pode ser um desafio.
.
Porque a luz varia muito, as sombras são em maior quantidade e a luminosidade é sempre mais precária do que no exterior.
.
Cá por casa é mesmo assim, a luz é pouca e varia bastante em curtos períodos de tempo. É preciso ter algum jogo de cintura para contrariar isso e produzir uma imagem de boa qualidade.
.
Hoje trago-vos um dos meus "must-have" que é nada mais nada menos, do que um refletor feito de cartão branco ou de esferovite. É óptimo para diminuir o impacto e a profundidade das sombras, ter uma fotografia mais homogénea e clara e, não menos importante, super económico.
.
Que acharam desta dica? 👌🏻
. . . 
#dicasdapestana #mpestanaphoto
#photographytips #interiorsphotography
  • Quantas vezes celebram as vossas vitórias?
- Começo eu: raramente.

E por isso, é meio caminho andado para desvalorizar as minhas conquistas, para senti-las como obrigação ou dever.
Estou sempre a esquecer-me disso e a menosprezar o caminho que faço.
Se és como eu, hoje fica aqui escrito: parabéns a mim e parabéns a ti, por tudo o que tens conquistado, por todo o teu trabalho, dedicação e perseverança.

YOU ROCK! 🤘🏼💖
PS: E para comemorar, sexta-feira vou estar no @sheworks.pt para ouvir duas mulheres incríveis falar das suas mudanças de carreira. Vai ser do caraças!